minhas árvores parecem dicionários abertos
falando o que não consigo pronunciar.
cultivo tomates, tão vermelhos
quanto meus olhos ao dormir de madugada.
cultivo couve, com sua tonalidade forte
tão itensa, escura como as dores
que não sou capaz de colher.
ficam aqui, remoendo, revivendo, replantando
estragando meu vocabulário
estragando tantas coisas que eu tinha pra te dizer...
cultivo manias, sons, vontades, sonhos
tão despedaçados, desesperados
indecifráveis, como uma palavra que vai madura
ao meus pés, pronta pra caminhar.
Camila Barros
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